segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

FELIZ ANO NOVO




DÁ UMA OLHADA NO CARTÃO DE ANO NOVO QUE EU FIZ PRA VOCÊ!

Clique na figura ou recorte e cole o endereço abaixo!

http://www.youtube.com/watch?v=zz1gWAbKejs

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

LEIA O ACTA DIURNA NATALÍNICO

FELIZ NATAL



Veja minha mensagem de natal para você! Copie e cole no navegador o link: http://www.youtube.com/watch?v=hMZyH7PBKbU

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

RUA 7 DE SETEMBRO (Parte um)



Centro
CEP: 29015-000
Vitória/ES.

Essa resenha foi a primeira. Escrita em meados de 2007, quando resolvi assumir meu posto de Pai-em-chefe, do meu menininho que acabara de dar sinais que viria ao mundo em breve, entre uma coisa e outro negóço! Fui (E continuo) a observar as peculiaridades dessa que é sem dúvida, uma das ruas mais “interessanctes” desse e de outros mundos.

Numa breve pesquisa sobre a rua 7, motivado pelo desejo de mais precisão além dos pitorescos acontecimentos, fui pouco contemplado pelo menos internecticamente falando. Muito superficial o que está a disposição sobre esta tão afamada rua do centro da cidade de Vitória do Espírito Santo.

A vila de vitória que surgiu lá pelos meados de 1555, que naquela época seria a vila nova, pois a velha já existia, assim como existe até hoje. Começou por cima da carne seca, pelo menos por cima da carne seca dos carangueijos que habitavam os mangues que permeavam Vitória desde os seus primórdios e que foram a exemplo Holandino, soterrados, aterrados ou enterrados como queira o freguês.

A nossa querida rua 7 de setembro só surgiu um bom tempo depeois e nos inicialmente citando Odorico Paraguassú, era uma rua destinada a moradia dos servidores ou funcionários públicos de então.
O tempo passa, o tempo voa e nos vemos na atualidade vivencial do século XXI, nesta modernosa e tradicionalista (assim como são as ruas, são as criaturas que nelas habitam e transitam) Rua 7 de Setembro, a rua do calçadão.

A primeira vez que fui a rua 7 cheguei pela Av. Beira Mar, passei pelo Teatro Carlos Gomes e pela Praça Costa Pereira e estacionei o carro quase em frente a ela. Estão vamos fazer este breve passeio começando por este trecho.
Vê-se logo o calçadão e como portais do lado direito um prédio rosáceo que no seu térreo é uma farmácia e nos andares superiores funciona um Hotel e Restaurante desses que se encontram em todo centro, baratinho, classe econômica 5 estrelas (a menos). A freguesia é dez, trabalhadores do porto, viajantes, putas e coisas do gênero. Mais recentemente começou uma sessão musical aos domingos que é pra lá de boa demais, um sujeito tocando violão com amplificação, voz ruim, afinação pior e assim aos domingos a noite podemos nos deleitar com uma sessão (que não é espírita) de repertório variado que vai desde axé, passando pela MPB, segue pelo brega e outros sucessos totalmente desconhecidos do hit parade da Rua 7.
O bom disso tudo é que o pessoal da música do hotel faz tanto barulho que força os crentes da Igreja da Assembleia de Deus fecharem as janelas, o que não é mau, pois assim somos privados das cantorias em rítimo macumbístico da "taquara rachada", mas, isso vem mais adiante.
Logo na porta de entrada do hotel avistamos um pequeno quadro de avisos com os dizeres escritos a giz amarelo "Almoço completo por R$ 8,00". Três andares malajambrados, decadentes onde nota-se ventiladores a toda velocidade balançando no teto (só de ver os ventiladores você já sente o calor) e gente descamisada numa sacada central que dá vistas para a praça, cassolas e cuecas entre outras peças íntimas ou não debhuçadas nos parapeitos das janelas, é o chique.

Do outro lado do pórtico adentrante um outro prédio verdelino de arquitetura um pouco mais recente onde funciona em seu andar térreo uma das tantas e tantas, e tantas óticas que atendem (modo de falar pois além de muitas, as óticas vivem as moscas). No primero pavimento dessa construção insossa funciona um templo religioso de denominação complexa e extensa, mas que tem o codinome de "Assembléia de Deus". Logo notamos que os ventiladores lá também funcionam a todo o vapor. Lugarzinho animado esse. Para continuar falando sobre o tal templo, tabernáculo e casa de festas, tenho que fazer uma ressalva, coladinho, lado com lado tem um prédio onde figura a data de sua construção que é de 1927. Neste prédio mais antigo que o outro, funciona uma agência bancária no térreo e acima um centro espírita. Não dá pra não pensar não é mesmo. De um lado um templo que "cuida" dos vivos, vizinho um lugar a couidar das "almas" e abaixo a morada da matéria em espécie.
Como dzia, a igreja está alí com suas paredes decoradas com bandeiras de países diversos e que funciona todos os dias, de segunda a segunda, quando chega a tardinha as janelas se abrem e começam os trabalhos. E que trabalhos, olha se existe uma gente que "ora, pois" e trabalha pra ganhar o reino dos céus é aquele povo. Principalmente a cantora que puxa o coro dos "desencantados e a serpente desafinada" como chamarei tal furdunço. A mulher é desafinada, sem ritimo, voz de taquara rachada, rádio mono mal sintonizado, pobre criatura, não ela, pois ela e os compaheiros de jornada não estão nem aí pro cantar siriêmico desafinadístico, gritante. Pobre de quem é surpreendido com tal misto de grito do Tarzam, chita, gemido de surucucú e o barulho do trem virado isso só pra dar uma idéia da cantoria pois na verdade pra desfrutar de tal momento só ouvindo pra crer que alguém possa ferir tanto os ouvidos como esta senhora é capaz. Creio que ela deveria gravar a versão gospel de "Tô nem ai". Quando ela começa a cantar tem um irmão que é o percussionista, e ele fica posicionado bem na janela que dá para a rua e fica ao lado do centro espírita. O danado toca atabaque, e lhe digo com certeza, com um toque daqueles, um marcação rítimica precisa e característica ou ele é oriundo do candomblé ou quer ir pra lá.
Com o passar dos dias notei que apesar de haver cantoria todos os dias, tem dias em que a cantoria e o batuque é mais forte, mais alto, mais marcado e o canto da taquara rachada é mais estridente. Isso me chamou tanto a atençao que fiquei a estudar o porque destes picos de latumia.

- SAI SATANÁS!

Coinscidentemente percebí que tais alterações sônicas se dão justamente nos dias em que o centro espírita realiza suas sessões públicas, as segundas e quintas, no mesmo horário e no mesmo bat-local.
Muito bem, "coincidências" a parte chego a ter pena dos velhinhos que se reunem em sua sede desde 1927, e que tem que enfrentar o furdunço desafinado de uns tempos pra cá. Mas quem manda ser espírita! Tem que ser resiguinado.
Disto tudo o mais surpreendente é ver o semblante assustado e surpreso das pessoas que transitam pela rua na hora da cantoria e o susto que levam ao serem intepelado pelo grito da puxadora. O pessoal fica meio atarantado meio que "perdidos no espaço" levantando a cabeça, procurando de onde diabos vem aquele som do cabrunco.

Já entramos na rua 7, agora vamos camihar mais um pouco e ai poderemos notar o comércio existente, como já disse, muitas óticas, mais óticas e umas outras óticas mais adiante, entremeando as óticas tem uns armarinhos, e lojinhas de lingerie (que não vejo ninguérm entrando) e tem uma loja de semi-jóias que tem como maior atração o ligar e desligar do alarme, por parte do seu dono, que me parece ter o maior tesão em ficar apitando aquele troço.
Talvez tal evento só perca para as duas gaiolas contendo um canário belga em cada que o dedicado ornitólogo folheante pendura e retira todo santo dia. Ah! Tem as atendentes, lembrei das garotas agorinha mesmo, são duas, jovens, magrinhas mas bem servidas, ficam o dia inteiro a varrer, passar o pano na loja e quando a guarda municipal passa é um acontecimento, os gualdas entram, sentam e proseiam sem pressa, as meninas sorriem para quebrar o tédio.

Depois vem mais umas óticas. Um comércio direcionado, creio que a rua sete poderia bem se chamar "Rua da boa vista", "Rua N.Sra. da Boa Luz" ou ainda "Rua Sta. Luzia" ou calçadão dos ceguetas, mas deixa isso pra lá.
Já na metade do primeiro trecho da rua 7 observamos também que por se tratar da região central, apesar deste fenômeno não se repetir na maioria das cidades, a rua 7 é bastante residencial, muitos prédios de apartamentos onde não mais os funcionários públicos exclusivamente residem mas toda a espécie de gente (principalmente os que gostham daquele meio ambiente). Tem um senhor aposentado que ouve jazz em alto e bom som, e de madrugada ele coloca sinfonias e música clássica, tem uma senhora que só se vê a mão dela passando roupa, a mão dela puxando as cortinas e por fim a mão dela fechando e abrindo as janelas. Nunca a ví mas parece que a conheço a tempos.Como ela vive passando ferro na roupa, toda vez que a vejo passando roupa lembro do título "Por falta de uma nova, passei o ferro na velha", vai ver que é este o caso dela. Falta de ferro. Certa feita movido por tal comportamento dessa senhora cgeuei a suspeitar que ela é a Taquara rachada que latumia na assembléia. Tem uma outra senhora que adora falar ao telefone e fumar na janela, me parece ser aposentada também e ao lado da janela dela tem uns rapazes que andam sempre desnudos (Aliás é um hábito entre os homens que frequentam as redondezas, seja onde for, criança, jovem, velho, o pessoasl adora exibir os bíceps, mesmo que seja nas dobras da barriga) da cintura pra cima e fazem umas festinhas animadas até altas horas da madrugada, com direito a gritinhos e muita risadagem.

Eles ficam na janela, por vezes os dois, outras vezes um de cada vez, fumando, olhando o movimento, falando alto no celular, com aquele ar de "perdidos numa noite suja" ainda não identifiquei se os dois são um casal ou é meramente preconceito meu. Tem o casal de velhinhos fumantes que ficam espreitando na janela, assim meio de soslaio e els vez por outra são incomodados pela vizinha de cima que quando resolve lavar as janelas derrama um aguaceiro e nem lhufas pra água que entra janela abaixo e o casal de velhinhos fecham as janelas as pressas para não ter sua cortina de veludo vermelha molhada. Mais acima tem o velhinho gordo e barrigudo, descamisado também, que adora ficar olhando a rua e discutindo com o povo que passa na rua. Incrível, ele bate boca com os passantes e vez por outra o vejo na padaria tomando seu café. Ou no barzinho, solitário olhando o movimento.
Olha só o que o barrigudo apronta quando tá de ovo virado:

- TÁ OLHANDO O QUE? (O velho)
- VOCÊ COM ESSA CARA DE BESTA!
- OLHA RAPAZ VOCÊ PARECE QUE NÃO BATE BEM DA BOLA! (O velho)

E assim dá-se o rápido diálogo.

E por falar em gente a fauna da rua 7 é riquíssima. Ouví dizer que o IBAMA tá pensando em montar um escritório na rua 7 especialmente para atender a biosfera local.

Tem uma figurinha carimbada, premiada que é habituee da rua 7. Luiz, ou luizinho (O tratamento depende da intimidade). Esse com certeza dá pra servir de pesquisa ou mote para um bom livro.
Um homem de idade indeterminada, a princípio parece um simples maltrapilho esfarrapado mendigo mas, não. Luizinho é figura conhecidíssima por todos que já passaram pelo menos uma vez em sua vida pela rua 7. Não é possível que você transite pela rua 7 sem que sua alma, seus olhos, ouvidos e olfato (que fedor) não sejam tomados, invadidos pela presença de Luizinho!
Geralmente ele está na soleira de uma loja fechada (creio que pra não incomodar), ele sua indefectível roupa preta de um godô característico, imunda e rasgada, fétida e mumística. Ao se aproximar da figura o transeunte desavisado poderá ter seus olhos tomados por um súbito interesse em detectar que espécie é aquela. Cabelos imundos, enrrolados quase que petrificados só faltando as mosquinhas ao rodear (depois eu descobrí porque as moscas não ficam rodeando o cabelo do Luizinho), o rosto bem como toda a pele dele é escura, coberta de placas pretas que logo se percebe que são crostas de sujeira acumulada e petrificada (Literalmente, Luizinho só toma banho, ou melhor se molha, quando chove), talvez um caso a ser estudado pela UFES para identificar como deu-se esta mutação epitelial, pois a impressão que temos é de que a pele do Luizinho absorveu a imundice e aquilo tornou-se uma coisa só.
Um capítulo especial são as unhas. Ah! Coisa rara, nem José Mojica, o famoso Zé do Caixão chegou a tanto. Unhas enormes, compridas retorcidas, de uma cor assim meio que marrom empretecida cheias de sujeira. Uma espécie de garra de Hárpia. O interessante, e isso é um espetáculo a parte é ver Luizinho coçar os cabelos encaracoladinhos (vou usar este diminutivo pra chocar mais) com as pontinhas das unhas. Seria tétrico se não fosse tão nojento.
Creio que ele tem algum tique ou problema neurológico pois fica o tempo todo tremendo os dedos num abrir e fechar altamente estranho.
Luisinho fuma. E está sempre acompanhado de uma misteriosa garrafa meio que encoberta por um saco de papel que eu não sei do que se trata mas pelo odor característico de alcool que exala, penso eu que deve ser isso mesmo. Alcool! Olha só o perigo. Luizinho, cigarro e alcool, o DETRAN, ou outro orgão competente deveria realizar uma blitz por estas plagas para fazer uma campanha sobre tal tema pro Luizinho.
Mais adiante eu me deparei com a figura, seu cigarro e a garrafinha e qual não foi minha surpresa quando ele gritou a plenos pulmões;

CACHAÇA! É cachaça, e por que não bebe-la (Em português claro e boa concordância).

Já que Luizinho foi apresentado devo agora descrever o mais interessante sobre tal figurinha. Seu comportamento.
Luizinho senta-se na soleira e fica calado por um longo tempo, contemplativo, observante. Lá pras tantas ele após muita observação e contemplação (acredito que isso deve encher o saco dele) resolve começar uma ladainha pornofônica característica que é composta principalmente pelas seguintes frases:

- VÁ TOMAR NO CÚ
- PUTA QUE PARIU
- BUCETA
- CARALHO
- PORRA
- DESGRAÇADOS

E a partir desta nomenclatura oficial ele faz algumas combinações, sem muita criatividade nem variação e discorre arreganhadamente em alto e bom (na verdade aos gritos) som sobre as partes íntimas e algumas implicações fisiológicas para a surpresa e arrepios de alguns passantes mais despreparados.
Isso ocorre invariavelmente todo dia na rua 7, pela manhã, a tarde e a noite. Basta o Luizinho querer animar a festa e dar a graça de sua presença.
Ele fica com o olhar fixo a frente e grita, berra e os que não o conhecem pensam que quilo é com quem tá passando, ai a graça, tem muita gente que reage!

- Olha o respeito rapaz!
- CARALHO!
- Você não está vendo que tem criança!
- VÁ PRA PUTA QUE PARIU CARALHO!
- Olha a minha mulher rapaz.
- BUCETA! PORRA...PUTA QUE PARIU.

Os que já privam deste deleite passam e gritam:

- Tá estressado Luizinho!
- PUTA QUE PARIU, PORRA!
- Alguém mexeu com você?
- ESSA BUCETA DA PORRA!
Outros mais respeitosos dizem apenas:
- Seu Luiz!

Ela fica impávido! Nem pisca. O maior desprezo.

E assim vai, dia a dia Luizinho e seu linguajar semi-erudito que encanta os passantes com sua intervenção no calçadão da rua 7.
Mais detidamente começei a observar Luizinho e até viajei pois notei que fora a linguagem chula e pornofônica, Luizinho articula bem as palavras usa os verbos e adjetivos ou seja, Luisinho em alguma época deve ter tido alguma educação formal. Outra coisa que começou a me chamar atenção é o cuidado que ele tem em não gritar tais atrocidades quando da presença de policiais militares ou da guarda municipal. Outro dia fiquei especialmente curioso pra ver qual seria o comportamento dele quando uma freira, sem hábito tracional, mas com um roupa e crucifixo característico de uma religiosa aproximou-se. Pensei qual seria a dele e como seria a reação da irmã!
Para minha surpresa, Luizinho parou de vociferar e respeitou a passagem da irmã sem pronunciar uma palavra sequer.
Mas, esporadicamente ele conversa!
Este diálogo reproduz um momento raro em que Luizinho se permite interagir com o mundo esterno e uma outra pessoa. Um senhor aproximou-se dele e o papo foi mais ou menos assim.

- (Luizinho) Tô precisando de 10 centavos.
- Você tá devendo na praça?
- Toda minha dívida é 10 centavos!
- Tá devendo 10 centavos a quem?
- Uma caixa de fósforos que e comprei.
- Tá bom, vou te dar os 10 centavos mas veja lá se não é pra comprar cachaça. Você bebe?
- Eu não! Beber faz mal ao estômago.
- É verdade, você sofre do estômago?
- Não! Meus estomago funciona muito bem, meu intestino também eu cago muito bem. (A pergunta que não cala é, ele caga onde?)
- Qur uma fruta? Eu compro umas bananas pra você?
- Não! Banana me dá azia...

Ele sabe das coisas. Ví quando a rua tava mais tranquila, ele sentado e passou uma jovem senhora do lado oposto a ele. Olha a pérola:

- ESSA BUCETA!
- ESSA BUCETA VAI E VEM!

A mulher fez que não era com ela, olhou de lado, cuspiu no chão e continuou.

- VOU PASSAR GILETE NESSA BUCETA!

Mas ja ví também em parcas ocasiões Luisinho dizer "United States of América" com boa pronúncia do inglês, e também presenciei ele falar de rua e locais da cidade de São Paulo o que me dá a impressão que ele a conhece bem.
E tem uma coisa interessantíssima! Ele não gosta de barulho, quando o barzinho da esquina tá cheio e tem som ligado (quase todos os dias até as duas da madruga) ele sente-se incomodado, e fica irritadiço e grita!

-DESGRAÇADOS, DESGRAÇADOS, DESGRAÇADOS!

Pra fechar com chave de ouro eu ví quando ele timidamente se aproximou de um lojista e perguntou:

-Tem 75 centavos ai?
-Não, tenho 1 real!
-Eu quero 75 centavos você vai me dar ou não?

Luizinho este patrimônio da rua7. Dá os seus cochilos de dia, e perambula pela noite e entremeia sua vida alegrando surpreendentemente a vida dos passantes.

Vamos caminhando.

Os porteiro do prédio são um caso a parte, vários senhores de idade, conversadores, sorridentes (Acredito que a dentadura que eles usam é tamanho GG) conhecem quase todos que passam e sempre tem alguma coisa a dizer, um comentariozinho, uma gracinha, tem um menos velho que usa uma farda característica, é uma camisa de listras azul escuro, meio desbotado e listras amarelas, dia sim e no outro também ele vem com esta fatídica camiseta. Quando nos encontramos ele sempre tem um assunto predileto comigo, o tempo!
- Hoje vai chover! (O porteiro)
- É parece que sim.
- Vai sim, ta muito quente, há 77 dias que não chove!
- É mesmo.
- Tá na hora de chover....

E quando ta frio é o frio, e assim por diante vamos mantendo nosso diálogo metereológico de tempos em tempos.

Tem o rapazinho da bicicleta, tipo entregador que todos os dias passa pela nossa rua 7, em alta velocidade desviando-se dos pedestres e recitando as escrituras em alto e bom som, é uma sensação apocalíptica. Não deixando de ser interessante.

- E ASSIM ESTÁ ESCRITO OS MORTOS SE LEVANTARÃO DE SUAS CATACUMBAS PARA RESPONDER PELOS SEUS PECADOOOOOOOOSSSS...

Ele deveria fazer parte do bloco "Cadê o bloco? Já passou".
Mais recentemente ele tem gritado constantemente:

- CORRUPTOS E SANGUESSUGAS QUERO TODOS OS POLÍTICOS NA CADEIA, VÃO MORRER! VÃO PRO INFERNO.

Mais uma figuraça.

Mais adiante, chegamos ao trecho final da primeira parte da rua 7, antes de cruzar a rua.
Este trecho não é menos importante ou interessante, passada mais algumas óticas chegávamos a uma pequena pizzaria (fechou) que era um primor.
A partir deste ponto tem um monte de mesinhas no meio do calçadão, que serviam para os clientes da pizzaria e servem ao barzinho que fica mais adiante.

Outro dia fui lá conhecer a casa (pizzaria) e fiquei estasiado. Primeiro pelo atendimento. O dono um senhor malamanhado, desalinhado e grosseiro, veio meio que a contra gosto me entregar o cardápio, resmungou alguma coisa incompreensível entre os dentes e deu as costas:

- Tem refrigerante diet?
- NÂO!
- Obrigado.

Depois de escolher chamei o dito cujo e perguntei se demoraria, ele disse que não, anotou o pedido e deu as costas. Em seguida pensei em fazer uma modificação, fui até ele temendo que o cara me destratasse. Ele etendeu, não muito satisfeito, mas atendeu:

- A massa é fina ou grossa!
- DEPENDE!
- Sim?
- Ô DONA MARIA A MASSA É FINA OU GROSSA?
- (Espeando)
- É DÁ PRA SAIR FINA!
- Não! Eu prefiro massa grossa!
- PORQUE NÃO DISSE LOGO!
- Pode ser ou tá difícil?
- É! PODE SER.
- Obrigado

Fiquei esperando por um longo tempo e começei a notar que tinha uma senhora, a cozinheira, outra mulher mais jovem, e uma terceira. Todas obesas.
Aquele tipo de obesidade mórbida engordurada. Notei então a razão, na pizzaria ele tem um pequeno balcão de sorvetes e as senhoras ficam o tempo passando em frente ao balcão, e o tempo todo comendo as coberturas, docinhos, balas que deveriam servir aos clientes, detalhe, pegam as guloseimas com a mão!
Com certeza não vou tomar sorvete alí.
Se tivesse mais disposto nem comeria a pizza.
Depois de quase uma hora e meia chega a tal pizza, engordurada que nem as donas, comí, paguei e disse adeus pra nunca mais voltar.

Chegamos então a primeira esquina, rua 7 com rua, no meio do calçadão tem uma banca de jornal de bom porte e no lado esquerdo o bar! É o "Bimbo", e como ele fica na esquina, e com um nome desses eu não poderia deixar passar o chiste "è bimbo lá e bimbo cá". Este bar é um fenômeno. O danado do bar abre de segunda a segunda de seis da manhã as duas ou tres da madrugada! Um fenômeno. Não que ele seja o bar mais movimentado do pedaço, mas tem sempre gente, tem sempre 3 a 4 mesas ocupadas e tem os habituês que marcam ponto todo dia os 3 horários. Se você passar pelo barzinho as 8 da manhã já tem uma turma tomando uma cervejinha, e assim vais até as 3 da madruga.

Se fosse só isso tava bom demais, mas tem a música, alta e variada ( bar tem umas caixas de som possantes sobre a marquise, serviço de alto-falante perde feio), um dia pode ser um hit da década de 80, outro dia pode ser um sambinha ou até mesmo "Amigos para sempre" com o José Carreras e a Monserrat Caballet. É um repertório eclético e alto. Creio que eles jamais ouviram falar numa tal de "Lei do silêncio" que obriga este tipo de estabelecimento a "baixar" o som depois das dez em área residencial. Ou então o aparelho de som não tem botão de volume, já veio assim, graduado no máximo de fábrica.
Fui lá outro dia comprar umas latinhas de cerveja, atendimento também de primeira!

-Tem latinha gelada?
- Tem!
- Quanto?
- R$ 2,50
- (Silêncio), fiquei pensando, deve ter algum erro.
- E ai?
- 2,50 uma latinha?
- Não! A GARRAFA!
- Ah! Bom, creio que me expliquei mal, eu quero latinha......


Não pude deixar de notar uma coisa que me chamou a atenção é a quantidade de clientes cotós, coxos e aleijados que frequentam o barzinho, com suas muletas, bengalas e sem braço, mas nem por isso deixam de se divertir, segurando habilidosamente os copos em seus côtos, até paquerar eu já presenciei o lance, só não sei se dá pra passar a mão na moça.
Curiosamente neste barzinho tem uma figurinha deveras interessante que é a Ya (O nome é fictício), uma menininha de uns 8 anos no máximo que diáriamente vem com um casal idoso andar em sua bicicletinha cor-de-rosa. A menininha é um raio da cilibrina, começa a andar ao cair da tarde e não para, é pra cima e pra baixo, num vai e vem constante que é de estarrecer. Os velhinhos que a trazem devem ser os avós, ficam sentados numa mesinha perto da parede e pacientemente ( a vó fica tomando uma cervejinha e o vê deve ter tido algum tipo de acidente vascular pois anda com muita dificuldade) observam o vai e vem da menininha, que fala com todo mundo, corre anda de bicicleta, logo Ya dá umas passadas nos pés do pessoal, batidas nas canelas e choques eventuais contra os passantes. Todos a conhecem, ela fala com todos inclusive com meu amigo porteiro metereológico.
Com toda certeza essa menininha daria uma boa garota propaganda da duracell, pois ela é movida por uma energia que duraaaaaaa.
Os avós são uma atração extra, a velha não tem a menor paciência com o velho e fica gritando, resmungando, dando órdens repreendendo ele a todo momento, sem nunca é claro esquecer da sua tulipa de cerveja.

Vez por outra temos o privilégio de receber a turma que desce do morrão com seus tambrins, taróis ou sei lá o que, que faz um algazarra desgraçada, isso seja qual for a hora, de preferência depois das 10 da noite.
E gritam!
E cantam!
E passam, e agente permanece.

Tem também a velha bêbada, que fica a dançar, ou bailar, como queira, importunando as mesas e ninguém reage, creio que é mais outra que tem seu livre acesso a este universo pararelo de convivência pacífica.
Eventualmente podemos contar também com a presença de uma senhora magra, esguia que hora pode estar trajando um vestido de algodão que mais parece um camisolão ou ela simplesmente pode aparecer num traje de veludo preto. Sua mumunha é conversar com as pessoas, ela se abanca ao lado de seja lá quem for, sem distinção de credo, sexo ou cor e manda ver, vai acompanhando a vítima, fala e já ví a dita cuja com o braço no ombro da pessoa escolhida numa romaria de proseio que atravessa toda a extensão da rua 7. Quando ela não está assim digamos, disposta a um bom papo, ela cata o lixo da rua. Mas não é um catar aleatório não! Ela escolhe, observa e sai carregando aquele monte de papéis e coisas que estão no chão. Outro habituee é o cara que toma todas e depois que fica no calibre começa a xingar, gritar, alterar e chamar todo mundo de covarde e grita:

- Cadê o macho da rua 7, quero ver quem tem coragem de me enfrentar!

As garçonetes do bimbo também são atrações, sempre muito simpáticas, meio lerdas ao servir e são...
...Obesas! Todas, creio que devem ser escolhidas a dedo.

Atavessamos a rua e continuamos nossa caminhada surrealista por este ambiente tão rico que é a rua 7.
Chegamos a metade do segundo trecho do calçadão, mais precisamente na pracinha, onde durante o dia um sem número de desocupados, mendigos e velhos com cara de aposentados dividem o espaço da simpática pracinha com senhoras e passantes. É aquí que Luizinho prefere tirar seu ronco de beleza, ao lado da turma de idosos que jogam damas o dia todo, lá se abanca Luiziho com a cabeça na soleira e o corpo meio inviezado na calçada dormindo o sono dos malucos beleza.
Quando chega a noite o negócio melhora na pracinha, por ela ter estratégicamente dois bares grandes que ocupam o calçadão e parte da rua com suas mesas e cadeiras a rapaziada chega pra tomar uns tragos, e a meninada vem pra praça jogar bola no campinho ou tocar seu violão, passear com seus cachorros, exibir seu peitoril marombado ou simplesmente namorar. Um dos bares tem uma mine feirinha em torno com ambulantes diversos que vendem espetinhos, bata frita, pastéis e outras iguarias. No barzinho que fica no calçadão o expediente é mais demorado, fecha ainda mais tarde que o bimbo e lá você encontra outra galera, o bar tem TV na rua, e lá dividem a audiência, homens, mulheres as mais variadas, casais e travecos. É um espaço bem democrático que fecha com chave de ouro o nosso percurso pelo calçadão da rua 7.

Creio que o descrito já seria suficiente para se ter uma idéia mais que exacta deste mundo maravilhoso e suas criaturas fantásticas, mas lembrei que os dias na rua 7 são movimentadíssimos como você pode perceber, mas as noites e principalmente as madrugadas não deixam de ter o seu charme.
Lá pelas 2 da madrugada vem a turma da limpeza!
Os garís com suas vassouras e pás de metal, silenciosas (pra não dizer o contrário) puxando seus carrinhos que fazem aquele barulho característico de ranger das rodas mal lubrificadas e o bater das pás ao deitar o lixo a ser transportado. Diria, um balé (ballet) quase clássico e com trilha sonora pela gritaria deles, o que é importante frizar.
E assim, nossos sonhos (pra quem tem este direito raro) fica sob a batuta dos garís.
Parece que tá bom né mesmo!
Tem o amanhecer.
O amanhecer durante a semana é incrível. Logo cedo tem um tal de desativar alarme de loja, sabe como é? Aquele barulhinho característico de alarme sendo desligado, identificou? Pois é todos os dias tem isso um tal de acionar e desacionar alarme que é uma jóia rara! Só que as vezes os alarme não atendem ao comando e, disparam!
- BLIIIIIIP!
- XEÊINNNNNN!
- PLINNNNNNNN!
- Tóin, tóin, tóin, tóin, tóinnnnnnnnnnnnnnnnnnnn!

Mas o responsável logo depois das sirenes serem acionadas consegue resolver o caso e pronto! Tudo resolvido. Isso pel manhã, até umas 9 e meia, pois tem algumas lojas que abrem mais cedo e outras vão abrindo mais tarde. Isso quando os tais alarmes não resolvem disparar em plena madrugada do fim de semana!

E por falar em fim de semana.
O amanhecer do domingo é especial.
Chega o domingo. Dia de descanso.
Dormir um pouco mais é o desejo de todo pagador de impostos, cidadão contribuinte. Qual o quê.
Tem um filho de uma donzela, que trabalha na no departamento de limpeza e autoriza ou comanda o caminhão de lavagem da Rua 7 a começar seu trabalho com seu motorzinho funcionando a toda potêcia, roncando mais do que pororoca do amazonas pra fazer a bomba dágua ter mais pressão, as 6 da manhã!
Bom eu já tô acordado mesmo só me resta ficar escutando de minha janela o papo construtivo, útil e erudito dos funcionários da limpeza pública.

Por isto a rua 7 é minha rua. Quando eu e os outros moradores finalmente morrermos, iremos diretamente pro céu! Pois o purgatório e o inferno, agente já conhece.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

APRENDO, COM ELAS.

Mulher_77. Lápis cera, caneta hidrográfica e aquarela sobre papel canson.

Aprendi com elas

O que não devo

Ou posso fazer.

Uma das coisas que elas me ensinaram foi que nem sempre posso abrir o jogo, dizer a verdade pra valer.

Pra quê?

Pois há uma sutil diferença em fazer, insinuar que sei, sem deixar claro o saber, e falar algumas verdades, mesmo sem querer (Querendo).

Ah! Como elas são simples e complexas, cobrem-se dos sete véus de mistérios e a coisa mais elementar passa a ter saber diferente.

Isso pra quem está a fim de viver intensamente.

Amo-as!

Podem ser o que for, amigas, namoradas, irmãs, mães, filhas ou esposas as minhas mulheres sempre querem me ajudar, dão-me conselhos sábios, sabem passo-a-passo o que tenho e devo fazer, antevêem meu futuro, comentam em detalhes minhas atitudes, sabem onde eu errei e a miraculosa fórmula para que eu acerte de vez.

Como elas são bondosas, só querem o meu bem, dão-me encaminhamento seguro, marcam cerrado e demarcam território.

Não por posse, não, com certeza!

Mas por cuidados, carinhos e mimos.

E se me falta o ar um pouquinho, exagero meu a parte, fico de ponta-de-pés para respirar um’cadinho, sem no entanto demonstrar desconforto ou desalinho.

As vezes não.

Sei do controle e dos ciúmes.

E daí?

Sei das necessidades por vezes tolas.

Que bom!

Se me falta a paciência, elas me ensinam a ter mais um pouquinho.

E mais.

Só mais um tantinho assim.

Como aprendo com elas.

Me fazem ver o mundo girar e mesmo assim, é bom.

“Amo-elas”.

“Amo-las”.

Elas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

TANTO FAZ

Xilo-timbragem aquarelada - P.A.001


O dia e a noite
Tanto faz
Quando sem você
Tanto fez
Ou não
Se há dia e noite
Com você
Qualquer dia ou noite
A gente faz, a gente fez
MCZ/2001

FAÇAMOS

Florzinha natalina da minha varanda - 2007
Fazer
Desfazer
Dês
Fa
Zer
F
A
Z

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

COM-FUSÃO

Mulher com grades - Desenho, bico de pena sobre papel canson
Algumas mulheres gostam
Outras gostam de gostar
Bem ou mal
Do bem ou do mal
Não é regra
Não há regras
Confusão

Exceção
Confissões de pé de orelha
Taradas
Pelo contrário
Desdizem
Umas falam
Outras, falo!
Umas sentem, outras não
Confusão.

Algumas correm léguas em busca do amor
Outras correm léguas deles (os amores)
Depressão
E nessa bipolaridade
Papéis confusos
Quase todas
Sem educação
Destreinadas
Desconcondicionadas
Às vezes perdidas
Ou perdição
Que baita confusão.

Delírios
Maníaca
Pressão
Se sim ou não
Vivem
Ou fazem de conta
Uma tremenda
Confusão

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

LISTA DE AFAZERES Nº 002


Arte digital/ Tratamento de imagem - EU


Desorganizado! Por natureza.
Então faço listas de afazeres para funcionar
Corações temperadinhos
Com sangue talhado
Fazer farofa de cebola
Com ora bolas e batatas
As favas também
Mas com delicadeza e muito apuro
Pimenta do reino e gengibre
Salsinhas e repolho
Mais coraçõeszinhos
Mais sangue
Muito alho que é anti-bióctico
Detesto ver a cena de escalpelar
Jogar água fervendo nela
Me lembra a música de Soraia torrada
Rio aos montes
Continuo minha listinha
Tantos fazeres
Ah, meus afaze
res

terça-feira, 19 de agosto de 2008

LEMBRANDO


Arte digital - Nú flutuando - 2002


Certa feita, num intróto filosófico, Matilde sabiamente me dizia
Meu amigo...
... a bem da verdade!
Ah! Essa tal de verdade, tem sempre três lados.
Três, questionava eu?
Sim, três!
Vaticinava minha querida amiga.
E quais seriam?
O meu
O seu
E finalmente a verdade.
Calei.

Para minha querida Matilde que tanto me ensinou.
Em Portugal, 1992.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

INFINITOS ESPAÇOS INFINITOS


Arte digital - Borboleta 001/ 1998



Gostaria de provar o seu corpo
Muito ou pouco, mas provar!
Numa manhã dessas eu quero acordar
E ao meu lado lhe ver
Enxergar, sentir, saborear...
Ter você na mente o gosto de tua carne
Seus bicos de peitos e grandes lábios quentes
Gostarei de te morder
Pequenas e grandes mordidas, picantes e carinhosas
Sacanas e prazerosas
Gostaria de morder a sua vida
Num tempo desses eu quero acordar
E ao meu lado lhe encontrar
E ainda adormecida eu olharei
Vida!
E quando a manhã azul chegar
Quero a minha vida em sua vida
Ter
Amar
Então os meus olhos se encherão de infinitos espaços infinitos


Interferência num texto meu de 1977

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

QUE DÚVIDA?


Caminhando (Trípitco 03) Xilo timbragem aquarelada sobre papel ingress



Não sei o que falta
Mas concluo que falta algo, finalmente
Só sei na verdade que você me preenche

Ainda não sei se me faltas
As vezes
Mas acho que isso é “coisa minha”
Da minha cabeça, minha mente
Mas bem sei o que sinto
As vezes não sei o que sentes
Outras também
Sentes

Será que sabes o que sinto de verdade
Só sei o que sinto
As vezes minto
Digo o que sinto e desdigo o que não digo
Mas quase com certeza
Sinto!

Porém as vezes não sei mais nada
De novo
Volta tudo ao começo
Quero você de novo
Outras
Tudo

Já não sei se te quero
Pois se não te mostras
Não

Sei não se também sentes
Sei
O que dizes
Ou não sei
Dúvidas
Sementes

Será que isso importa?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

UMA ORAÇÃO DE PLANTA


Laranjal - Acrílica e aguada sobre tela (Em portugal) 1992

Senhor meu Deus, obrigado.
Obrigado por tudo que tenho recebido.
Permanecei sempre ao meu lado senhor.
Iluminai meu caminho, Senhor.
Continuai a amparar-me, dá-me forças, perseverança e clareza nas minhas vistas para que eu tenha o devido discernimento mediante o bem e o mal.
E assim possa aprender e crescer sempre.
Senhor continuai a me alimentar de sua energia pura e vital para que a semente da minha vida que a cada dia planto germine e torne-se planta, árvore.
E que essa plantinha tenha suas raízes aprofundadas e que vão longe em busca dos nutrientes e forneça também a segurança que toda base deve proporcionar.
Que eu arvorezinha torne-me forte e de tronco solene e longilíneo nos momentos de sustentação e maleável nas intempéries.
Que desse tronco ramifiquem galhos folhas em quantidade tal que minha copa seja dadivosa, acolhedora de toda a vida.
Árvore fecunda me torne senhor, para que os meus frutos sejam o alimento e renovação de toda essa vida. Que esses frutos nunca cessem.
Que à minha sombra floresçam brotos de minha existência continuada, à minha imagem e semelhança pela obra e milagre de sua essência.
E assim eu cresça, para frente e para o alto, ao seu alcance e que os que minha sombra busquem, encontrem o refrigério e segurança que lhes possa proporcionar.
Que eu viva na eternidade
Que eu me perpetue nos meus
Que eu seja imortal
Em minha alma, meu ser, que eu reencontre o meu Pai, meu Senhor, meu Deus.
Amém.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

I.R.A.



Fotoarte - Vista da Rocinha 003/ Ricaru




Ou, Iranilda na Rocinha Afetivamente.

Nordestina como tantas e tantas migrantes que vieram para o Rio, numa época de esperanças em busca de uma vida melhor, ela, Iranilda da Silva Santificada (Ira pros amigos) nada a ver com o Irish Republic Army! I.R.A., milícia terrorista cristã assassina Irlandesa que aterroriza e mata mesmo, pra valer. A nossa Ira, veio com o seu primeiro marido e cinco dos seis filhos (o mais novo ficou no “norte”) pro Rio maravilha.
A danada já esta na cidade maravilhosa (leia-se rocinha) há mais de vinte anos, ela me conta que já faz tanto tempo que nem lembra mais.
Atualmente é diarista, faxineira e carregadora de pedras nas horas vagas, ou seja, autônoma.
Mas já foi “bem de vida” me contou certa vez que tinha negócio próprio de transporte de gente e que o primeiro marido “botou tudo a perder”.

- Foi mulher sabe! Hahahahahahahahahahaha!
-Sei.
-O danado foi vendendo os carros, sabe daqueles grande de transportar gente, e eu se não abro dos olhos ele vendia também até o meu chão! Hahahahahahahahahahaha!
- E depois?
Depôs ele foi-se embora, foi-se! Cum as mulher, quengar. Me deixou na mão. Hahahahahahahahahahaha!
- Sei...

Duas vezes por semana ela vem a casa de minha mãe e faz a limpeza da casa, coisa que por sinal, faz muito bem com um capricho sem igual. Mulher forte, parece até Sertaneja (mas é do litoral). Limpa tanto que minha mãe até reclama e diz:

- Essa mulher só pode ser doida!
- Sou mesmo dona Maria, sou doidinha! Hahahahahahahahahahaha!
- Mulher eu não já lhe disse que não precisa limpar tanto, ninguém sente nem uma poeirinha no pé!
- Ah! Sabe o que é dona Maria, é que eu tenho uma impaciência. Num posso ver chão que logo vou limpado. Hahahahahahahahahahaha!
- Mas mulher limpe com o rodo, coloque o pano do rodo pra ficar mais fácil.
- Se incomode não dona Maria, eu prefiro limpar assim mesmo, ajoelhada porque vejo a sujeira melhor e limpo mais direito, né! Hahahahahahahahahahaha!

Coisas assim, desse tipo.
Ira não dá moleza a sujeira, mas tem umas coisas que nem lhe conto, minha mãe fica até nervosa as vezes.
A primeira peculiaridade é que Ira não chega cedo nem a pau! Só lá pras dez!
É ela só chega lá pelas dez da matina, pois o atual marido dela o Chiquinho sai muito cedo, ela tem que se acordar de madrugada pra preparar a marmita do Chiquinho pra ele levar para o trabalho. E depois, dorme outra vez! Aí já viu não é mesmo, pra acordar de novo só lá pras nove e Ira se atrasa outra vez. Outro dia ela até me confidenciou que tinha perdido o trabalho na casa da irmã do Doutor por isso. A patroa a despediu porque ela não chegava cedo.
Mas ela também não se rebaixa e diz logo que também aquela patroa e aquela casa “... era assim maisomenu.”
Outra das tantas mugangas da Ira é a arrumação desarrumada, a danada limpa tudo cada coisinha peça por peça detalhadamente, vira a casa de pernas para o ar. Mas em compensação (não sei se isso é ruim, eu pessoalmente gosto) cada vez que a Ira vem a casa fica com uma decoração nova, cada coisa que ela limpa toma novo assento, nova localização.
É a arrumadeira mutante ninja.
A propósito disso tem um causo incrível:

Me diz ela.

- Foi no primeiro dia sabe!
- Sei.
-Eu era novata e a mulher não me explicou tudo, o Sr. sabe como é que é! Hahahahahahahahahahaha!
- Sei.
Tem que dizer tudo, mostrar tudo, e de que jeito ela quer que fique, né mesmo? Hahahahahahahahahahaha!
- É verdade.
- E pra completar a mulé ainda me provocou!
- De que jeito?
- Ela disse de odiavaaaaa sujeira, que não suportova pó!
- Nossa! Essa doeu.
- Pois é, pro senhor vê. Eu comecei a limpeza e fui de cômodo em cômodo, o Sabe como eu sou caprichosa. Tudo quanto era de poeira, sujeira fui limpando até encontrar um vaso assim mais ou menos do tamanho de um jarro de flores. Um vaso preto, com uma tampa preta! Quando abri o vaso tava sujo, fedendo cheio de pó! Eu não tive dúvidas, levei o jarro pro banheiro, joguei o pó na privada, dei descarga e depois fui lavar. Lavei bem e deixei o danado brilhando.
Coloquei lá e continuei a limpeza da casa.
- E daí?
- O Senhor não imagina!
- Imagino!
- Só ouvi o grito, o choro, o desespero a mulher gritava!
- MEU MARIDO!
- Eu saí desatinada e fui ver o que tinha acontecido e ela só dizia!
- MEU MARIDO, CADÊ MEU MARIDO?
- E eu que sei minha senhora, o que aconteceu com seu marido?
- ELE ESTAVA AQUÍ NA URNA, CADÊ MEU MARIDO?
- URNA? Que urna?
- Aquele vaso preto!!!!!!!!!
- Olha, eu travei! Como é que eu poderia saber que o pó que tava no tal vasinho preto era do marido dela! Hahahahahahahahahahaha!
- O QUE VOCÊ FEZ COM O MEU MARIDO!
- Olha a senhora me desculpe mais eu joguei na privada! E dei descarga. AGORA NÃO TEM MAIS JEITO NÃO.

Pronto! É assim a Ira, uma alma boa mesmo em meio a tantos desfazeres da vida.

Cada dia ela me chega vem logo me contar sobre uma novidade da rocinha, ou da vida dela. E diz que tava anunciado que o pessoal do tráfico tinha avisado que iriam atacar o Vidigal, que era pra ela ficar tranqüila pois a comunidade da rocinha não seria atingida, e assim foi.
Creio que vocês viram na TV, transito interrompido, black-out, batida e invasão policial. Ira news já sabia de tudo. Cada dia que Ira vem é uma resenha! Uma hora me conta da história do filho que entrou pro tráfico, fez merda, o danado achou de roubar o toca-fitas (som) logo do carro do chefe do tráfico!
Pois é ele teve que fugir senão já tinha sido morto pelo dono do ponto.
O homi (fala baixinho como se ele pudesse ouvir), me avisou pra ele dar o fora, em minha consideração sabe seu Ricardo, disse que dava um dia pra ele se escafeder daqui!

Mas ela é respeitada. Resolveu construir um barzinho e fez uma puxadinha na casa dela. Quando já ia abrir, vem a presidenta da associação de moradores da favela e diz que ela não vai abrir. Entre discussões e brigas a ira que não é besta nem nada foi ver o chefe do tráfico.

- Fui logo falar com a autoridade né mermo!

Me disse que tremia mais que vara verde, quase se mija de tanto nervoso. Mas foi. Explicou a ele o acontecido e pediu pra abrir e funcionar o seu bar, ele disse pra ela que ela era considerada e permitiu. Disse que qualquer bronca mandasse falar com ele.

-E assim! A justiça do morro não tem burocracia! O senhor nem imagina se o morador da comunidade não andar direito a bala come.

- E como foi o fim da estória do seu barzinho?
- Ela, a presidenta me chega com um negão e uma marreta pra botar o meu bar abaixo e eu disse “Bota!” que depois você se explica ao chefe! Pronto. A mulher amarelou e recolheu o negão a marreta e tudo mais e foi embora cum o rabo entre as pernas.

As aventuras e desventuras de Ira são suficientes pra escrever um livro. Mas o que mais me encantou nela foi seu espírito de alto astral, seu bom humor e sua disposição pra viver.
Ri com facilidade, ri da própria miséria.
Tem valores e uma percepção “adaptada” a realidade dela.Um misto de Nordestina e Carioca (um sotaque diferente), uma Brasileira como tantas, uma alma que nos representa muito bem sim senhor.

Fui muitas vezes a convite dela, comer beber, caminhar morro acima e abaixo, fomos ao Laborioux (onde só entra quem tem permissão), comi do bom e do melhor, freqüentamos os forrós, dançamos muito e conheci uma pá de gente de bem, e outras nem tanto da comuidade.

Creio que não poderia ser de outra forma a minha despedida do Rio de Janeiro, a cidade que ainda continua maravilhosa e que tem essa gente, que vive apesar de toda a violência real e da violência midiística (promovida pelos interessados na cultura da violência).

Estou voltando pra minha terra.
Parto do Rio, depois de uma estada maravilhosa, onde vi e revi, lugares e pessoas queridas, passeei, visitei tantos eventos, bares bodegas e armazéns que sem pretensão,poucos cariocas conheceram,visitaram e freqüentaram.

Volto pra Maceió cheio de saudades e com novos olhos e idéias, fruto dessa minha vivência. Espero não demorar tanto para voltar ao Rio.
Aqui agente se nutre de coisas importantes para a alma.
Aguardem-me que as minhas lentes e retinas estão chegando pra ver e declarar todo o amor a nossa Maceió, nossa Alagoas.

Inté Já!

Isso, entre otras cositas mas, aconteceu após 3 meses de estada no Rio em 2004


terça-feira, 12 de agosto de 2008

ETERNA-MENTE


Fotografia tratada (Digitalização e tratamento)



Sabe
O momento é este
Perfeito
Eu sinto o que sentes por mim,
E eu por ti
Queria saber mais
Queria saber parar o tempo, o vento
Sentir a brisa congelada
De teu respirar
Ofegante
Calmamente
Crescente
Fazer derreter o gelo da paralisia do tempo
Nesse instante
Fazer um “para sempre”
Eterna-mente
Minha, tua vida
Parar de novo
Ré-congelar os corpos
Perpetuar
O amor
Eterna
Mente.
Novembro de 2001

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

PRINCÍPIO, MEIO E FIM


Um trago - Gravura (Silk) aquarelada sobre papel fabriano 1991


Creio e pratico o respeito
Por mim, é princípio, meio, e fim.

Respeito os meus convidados
Para a minha grande festa, a festa da minha vida
Convido a todos os que me são caros, todas as pessoas especiais que me tocam
O coração, me abraçam, beijam, me querem bem, apertam minha mão
Com carinho, respeito e atenção.

Adoro os que me fazem surpresa e chegam de forma inesperada
Fico sem jeito se esqueço alguém, em determinado momento de presença
Então todos os meus convidados são importantes

Mas não espero mais do que a hora
Por quem não vem ou atrasa.

Respeito aos convidados que vêem e estão ao meu lado na hora acordada
Não atraso festa ou lamento ausências
Curto, confraternizo com os que estão presente
São festas continuadas

E o dia dos pais é uma delas.

Obrigado aos meus filhos amados
Suas presenças nessa festa foi fundamental
Não há distância quando se ama
E isso, pra mim, é só o que importa.
Além de sabê-lo, e certo de que vocês sabem também
As amigas e amigos que lembraram de me parabenizar
Sensibilizaram minha alma.

Que maravilha é ser Pai e ter filhos tão dadivosos
Presentes no meu presente

Obrigado

sábado, 9 de agosto de 2008

EU AVISEI


Rosto e alma em chamas - Caneta bic sobre papel de caderno / 1976


Havia um lapso
Talvez um prolapso
E eu a encontro assim tão depauperada
Rugas profundas
Faces sombrias e olheiras escondidas (disfarçadas) pelos grandes óculos escuros
Que esquálida figura

Mas, eu avisei!

(Pré) Disse o que aconteceria
Por conviver e conhecer a criatura
Se escolhesse o caminho da solidão
Sozinhos, somos sempre piores
Sabedor das suas incapacidades.

Vaticinei

Pense! Será uma luta muito árdua, muito sofrimento em vão
Peço-lhe, imploro
Não opte pelo sofrimento, vamos encontrar o caminho da paz
Incontavelmente solicitei
Qual o quê, como sempre nem me ouviu, e obcecada em seu furor prosseguiu

A pior das impressões tive ao vê-la assim
Faces do terror, expressão de ira
Quase foi um susto em ver que por fim ela conseguira
Estava a seu modo a vitima perfeita
De si própria
Incapaz de amar
De se dar
Sentir
Se expressar
Incapaz.

Suas capacidades momentâneas
Restringem-se ao ódio e a dor

Por fim encontrou o caminho de obter os nutrientes de sua alma em ruínas
Beber do próprio fel, como se fosse o mais doce mel
Alimentando-se de sua própria ruína.

Tenho a mais profunda pena
E desprezo por você
Criatura burra!
Rejeitou a felicidade, por mais que ela lhe tenha batido a porta
Janela
Alma
Por anos a fio

Bem feito!

Pagou pra ver.
Desprezou, desrrespeitou
Ignorou.

Agora crueldade é seu nome
Crueldade é sua alma
Transtornada num imenso caldeirão
De maldizeres, auto piedade e incompetência
Amargor
Seu rosto não nega
Seu corpo exprime
Seus atos denunciam
A sintomatologia do sofrimento e da dor.

Que pena, e olha que eu nem tenho essas capacidades ou poderes de premonição

Mas eu avisei.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DEIXE FLUIR


A Bailarina_001 / Bico de pena/ Nankim e aguada de ecoline sobre papel -1977


Quando pensar em complicar, controlar
Pare!
Limpe a mente!
Se agüente, seu ritimo é só seu.
Quebre!
Não nade contra a corrente.
Por um instante, sinta a energia da vida
Deixe a natureza fluir
Permita que as coisas aconteçam
Feche os olhos, ouça uma música, pratique uma dança.
Assim tudo se equilibra, não mais que derrepente
Permita a vida acontece(R)
E eu, na sua vida...
Também.

Em 20 de agosto de 2001

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

COMPLEMENTOS


Natureza morta com melancia - Óleo sobre tela / Acervo do artista


Escorrer os Pratos
Os talheres
No escorredor de Talheres
Talheres solitários
E as xícaras
Arrumar as coisas
No armário do banheiro
Com espelho
Chuveiro elétrico
No banheiro
Pra tomar aquele banhão morno
Registro e mangueira do Fogão
Na cozinha, por segurança minha
No meu quarto
Um guarda Roupas
Roupas de cama da cama pequena
A única que tenho
E a geladeira?
Como viver sem ela
Lixeira de pia
Pequenininha
02 lixeiras para banheiro
Voltando a cozinha
Panelas e tampas
Frigideira ou caçarola
Cubas de fazer gelo
Sem medo
Sozinho preciso de pouco
Só uma peneira, colheres de pau e uma cadeira.
Nem mesa é necessário, como em pé, ao pé do fogão ou fogareiro.
A esmo, talvez uns livrinhos, fininhos
Que é pra não cansar as vistas
As “oiças”, talvez escutem um sonzinho
Daqueles bem bunitinhos
Um rádio, um toca fitas, pick-uk ou player o que seja
Discos
Fitas
CD’s
Velas
Fósforo
Álcool
Uma cervejinha, ou cachaça já serve, pra quem bebe
Escova de dentes e fio dental, muito legal
Um sabonete, sabão de coco
Amaciante para as roupas e pro corpo
Um hidratante
Sabão em pó e desinfetante
Meias e cuecas dobradas
Camisetas lavadas estendidas ao vento
Essa é minha listinha
De com
Plementos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

ERROS-SORRE (errus, erroz, herruz, êrrhus)


Casal 20 - Técnica mista, reprografia, montagem, colagem sobre papel / 1993


Como se vê acima, existem (com um pouco de boa vontade e criatividade) muitas maneiras de errar.

Sores, resor, serro, orres, resro, e outras tantas formas de tratá-los

Erro, Erro, Erro, Erro, Erro, Erro, Erro, Erro, Erro, Erro, ou de persistir.

Aí você terá um ótimo credito de erros, se tiver bom tino comercial, se for de batalhar, pode pegar esse estoque e tentar, numa casa de câmbio (cambiando los erros), trocar.
Se isso tudo valer pelo menos um acerto. Garanto!
A troca terá valido a pena.

Cometi, cometo e cometerei-os
Os meus!
Em grosso e a varejo.
Unitáriamente ou a granel.
Deprimentes ou deploráveis.
De intensidade variável.
Chateantes ou arrasantes.
Cometi, cometo e cometerei
Erros
Meus.

Então assim sendo, peço-lhe.
Cometa os seus.

É claro, depois de passado, num futuro momentaneamente remoto, eles poderão até ser motivo de risos.
Ou de dor.
De abrir feridas e alimentar o lado negro da alma com sentimentos deprimentes.
Ou, de(is)-sabor.

Ou posso mudar.

Pra cicatrizar, fortalecer a alma tornando-me mais forte, maleável e fibroso, um sobrevivente.

Cometo os meus, cometa os seus.

Mas vamos fazer um trato (se você quiser):

Aprenderemos de verdade com os erros, mas daquele jeito que só cada um de nós sabemos, dolorosamente devagarzinho (ou depressa), remoendo, mastigando, ruminando e digerindo.
Até que virem (se transformem em) outra coisa, virem um antepasto (nouvelle cuisine) aceitável, compreensível.
Pra não dar indigestão ou diarréia, num breve futuro (Logo eu que tenho intolerância alimentar).
E assim agindo eu prometo;
Vou cometer novos erros.
Cometo os meus, cometa os seus.

Sim!

Mas serão erros novinhos.
Em folha
Em verso e prosa.
Erros de ousadia
Inquietação, de busca, por amor ou afeição.
Por pensar lerdamente ou não, por pensar apressadamente, por sentir, pressentir, farejar e constatar.
Ouvir demais ou emoquecer.
Gravemente pesado ou agudamente cravado.
Por olhar de miopia, daltonismo, hipermetropia, astigmatismo ou cegueira.
Então assim ta acertado, eu cometo os meus, e você comete os seus.

E depois de um tempo tentando, aprendendo e renovando e caminhando, nessa nova postura errática.
Tudo se tornará degustavelmente, macrobioticamente deglutível, digestível e combustível.

Os meus erros e os seus.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A PELE E O PÊLO


Boroca - Bico de pena sobre papel fabriano (Capa de catálogo)


O frio traz mudanças na pele e no pêlo.
As pessoas mudam!
O frio da alma é apelo
Algumas pessoas esfriam e com isso as mudanças justificam
Total falta de zelo
Outras frias mudanças arrepiam a pele
Eriçam os capilares pelos.
Os mendigos ficarão bonitos “quando” receberem casacos de pelos
Eu por minha vez, só desejo ficar na sua pele (under de skin...)
Sussurando e apelando para que me esquentes
E você se esfregando em mim
Deixa suas indefectíveis marcas, os teus pelos.

sábado, 2 de agosto de 2008

ESSES DIAS


Eu_003 / Bico de pena, nankim sobre papel ingress - 1982


Em casa a noite, só sem você de novo
Em 8 de Outubro de 01

Esses dias tem sido mais tristes pra mim

Por você, por não te ver.
Tocar, sentir
Apalpar
Falar com o telefone, uma voz que imita a sua
Sinal que você não está
Já não me basta.
Tento, ligo de novo, sinal de ocupado. Desisto
Puno a mim e a você.

Esses dias tenho estado um pouco menos alegre

Por não ter você juntinho a mim ao deitar e acordar
Pra compartilhar
Sei, sou (tento ser) compreensivo (será?)
Que os dias de hoje nos imprime e comprime
Temos que correr
Como quem corre parado
Para canto nenhum.

Esses dias sinto-me muito sozinho

Sem seu toque o seu carinho
Ligo outra vez uma voz de mulher diz que o número é o seu
Pede pra deixar mensagem após o sinal
Pra quem?
Os sinais são tantos.
Pra mim.
Quando por fim consigo falar com você em meio a uma confusão é pra te dizer que não dá pra nos vermos, nos encontrarmos, surgiu um imprevisto, torço pra que você diga que não aceita, demonstre seu descontentamento, que ilusão.
Você compreende você é tão compreensiva, aceita, concorda.

Esses dias tem me deixado um tanto menos satisfeito

Principalmente com o seu jeito
De inverter a situação ao dizer que sente minha falta
E eu fingir surpresa, e dizer “que bom”
E você, aproveitando a deixa, dizer que sou eu que não digo o que sinto
Esses dias

Ou quem sabe, um dia desses...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

COMO VOCÊ...


DEGUSTAÇÃO - Bico de pena e aquarela (Técnica mista) sobre papel fabriano.


Que egoísmo esse meu
É querer ter você.
Principalmente assim
Antropofágicamente
Degustativamente
Pra te comer.

Que fanatismo o meu
Te querer,
Desejar,
Assim, só p’ra mim
Te dar de comer.

Como
Você!
Com os olhos, as mãos
Boca e a língua
O nariz e ouvidos
E teu coraçãozinho
Por fim.

A cada pedacinho de ti
Sinto que na realidade não te como
Como, como você
E você
Também, come a mim.


Pra Tú, em 10 de novembro de 2001

quarta-feira, 30 de julho de 2008

DE EU PRA TÚ


Choro/ Bico de pena (Nankim) sobre papel canson - 1981


O mundo é real
Os dois também
Quase sempre
O mundo dos dois
É o mundo
Um fina linha
Um fio
Um campo de força
Os dois
Os dois mundos
Amor
Do ódio à dor e (com) prazer
O limite existe
Os lençóis, a cama, o cheiro
O sabor do nosso amor
Afastados os dois mundos
Os dois, o mundo
Como um halo, um campo protetor
Os dois neste momento
O tempo
É de prazer
Quando sobre a seda ou algodão
Flutuam
O real, o gozo dos dois
Os amores são mundos
Muitos amores, que se dão
Um ao outro
Um mundo
Que bom que há mundos paralelos
Entre o real e o amor
Quem sabe um dia, um momento
Por um minuto ou segundos
Sejam um
O amor real e o possível
Os dois também.

Para “Ninha” (nóia)! 2001

terça-feira, 29 de julho de 2008

DIREITOS


Composição (Dualidade) - Bico-de-pena sobre papel canson/ 1977 (Coleção do artista)


Meus direitos
São meus
Os seus
Os nossos
Vós
Tendes
Direitos
Ó meu!
Direitos
São direitos
Esquerdo por vezes.
É não
Pensares
Nos direitos
Meus e seus.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

SAUDADES


FOTOARTE - Feira de São cristovão (Xuxa de bicicleta) 2005


Dizem (é aquele negócio de ouvi dizer) que saudade é uma palavra nossa, que só existe na nossa língua! Não sei se isso é verdade, ou não, e na realidade nada vai diminuir, amenizar qualquer saudade que seja. Qualquer saudade que sintamos, nada vai mudar.
Saudade é coisa rara, única, ímpar e assim começo essa resenha, falando do que vi, ouvi e senti num cantinho erguido em homenagem a saudade.

Fiz um programa de cabeça chata, nortista, baiano, ou seja, de Nordestino e com muito orgulho que tenho de minhas raízes. Fui à feira de São Cristóvão, também conhecida como “feira do Paraíba”.
Assim que agente se aproxima vê a construção ondulada que de cara lembra um imenso, enorme, chapéu de couro de sertanejo. É assim como um grande ginásio em termos de tamanho. Estacionamos o carro e de cara entramos pelos fundos, coisa de nordestino sem muitas convenções. Meus primos foram logo dizendo que a coisa tinha melhorado muito, que antes era uma feira de mangaio, feira do passarinho, algo assim meio muito esculhambado, avacalhado, sem nenhuma organização e principalmente sem asseio, higiene zero. Bom, é isso a que estamos acostumados a ver em nossas feiras livres. Normal.
Mas houve a reforma, agora as novas acomodações são bem organizadas, tem as lojinhas e corredores labiriínticos, mas tudo muito arrumadinho (não vamos exigir demais), e muito asseado (imaginando-se como a coisa deveria ser antes).
Fomos em direção à entrada, pra ver a estátua do velho e bom Gonzagão, a escultura é um bronze em tamanho natural (creio que aumentaram a altura dele só um tiquinho) retratando ele nos seus bons tempos tocando sua sanfona. Fiz pose ao lado da escultura tiramos fotos e quando resolvi fotografar a escultura compatriota, um patrício, ou melhor, um irmão e me perguntou?

- Quanto é a foto? Eu quero tirar uma!

Pronto! Logo vi que tava no Nordeste! Em pleno Rio de Janeiro, daí por diante é só abrir os olhos e o coração e ver, sentir. Não há como se perder é um emaranhado de becos com biroscas de todo gênero que bem poderiam estar em qualquer Caruaru ou Arapiraca do nordeste, a cada dois paços um som diferente, do forró mais escrachado, esculhambativo ou espaiante, seja xote ou xaxado, brega ou forró eletrônico a música não para, é uma confusão do futi (referindo-me aqui ou famigerado pé preto). É capaz de você endoidecer, mas depois, com um tempinho suas oiças vão se adaptando e vem uma sintonia fina e você passa a filtrar os sons. Aí sua audição fica bastante seletiva.
Bom, como se isso não bastasse pra onde danado você espia, só vê nordestino, ou pau de arara como os cariocas na sua malandragem, meio que ignorante costumar zonar conosco. Rapaiz, homi e essas meninas, o negócio é confuso, de repente você é sugado para uma dimensão paralela e aí não se sabe mais que estamos no Rio, agora estamos na sonhada Pátria dos nordestinos, cantada e decantada pelos poetas, onde gente de todas as repúblicas nordestinescas se amalgamam e tornam-se um só povo, um só sentimento, uma só cultura. A saudade.
Sabe aquela nossa gente que freqüenta a feira, a dona daquele freje, o cabra de chapéu preto, a bruaca, a rameira, o veio, os meninos, a peituda fantasiada de meio Xuxa, meio Minnie em sua bicicleta escalafobética, a confusão, a gritaria, a risadagem, as cachaças com tudo que é fruta dentro, aqueles enormes vidros de pimenta é quase o caos! Pois então, tudo isso reunido num lugar só. Uma alegria sem igual, uma coisa de maluco, doido, ou melhor, dizendo coisa de Nordestino, de uma gente aloprada que somos nós. Gente que traz a alma, corações e corpos cheios de saudades que trazem a cada dia de feira um muitão de sua alma, de seu ser, do jeito que só nós sabemos, e abre-se a esta energia, este sentimento de resgate, amostra a todo mundo que quiser ver o quanto somos autênticos e expressivos.
Um coloridão um amontoado de panos, sandálias, artesanatos, e brebotis os mais diversos pra quem quiser sentir, recarregar as baterias, viver.
Dentro temos uma rua principal, um corredor mais largo que de uma ponta a outra interliga os dois palcos principais que tem sempre algum grupo se apresentando com as nossas coisas, músicas e danças. No centro um espaço tipo uma pracinha onde quatro violeiros se destratam com aquelas suas vozes e rimas conhecidas a embolar e improvisar durante o dia todo.
Muito cordel, raiz de seja lá o que danado for, chás tipo quebra pedra, garrafadas e queijo qualho e manteiga, gente sem dente, mas sorrindo, gente que está precisada de rever sua gente, é o lugar certo pra isso.
Creio que tem gente aqui que não vai ao seu cantinho, no seu pedacinho de chão há muitos e muitos anos, décadas, e talvez nunca mais volte por lá. Mas com certeza a saudade é amenizada, e olhem, tudo aqui é de vera, nada é armado ou feito pra turista não. Tudo tem alma e coração.
Este com certeza é um outro pedaço do Rio, que vale a pena conhecer, apesar de não ser turístico, creio que se cada visitante ou mesmo carioca desse uma passadinha por aqui, até a saudade de quem não tem saudade seria saciada, e ao sair daqui, a saudade se instalaria como “chama que arde” no coração de cada um de nós.


Um saudoso e fraterno abraço

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A BESTA É FERA



Composição/ Rosto em chamas - Caneta bic sobre papel de caderno - 1973 (Acervo do artista)


O após-calypso das nossas mágoas
Não acabaram em samba
Quanta tolice
Alfinetadas profundas, o dedo numa ferida a cicatrizar
Burrices de ex-relação
Ex-amor, ex-canção.
Encheção de mares de mágoas, gotas de turbilhão formam um imenso oceano de ré-sofrimentos
E a providência indigna de uma vingança pequena, pobrezas da tua alma.
E eu aqui de longas pantuflas, calças boca-de-sino, vivendo uma época ultra-passada, a espera da minha pretensa algoz, ou pelo menos de um belo amor-feroz.
Calças curtas, nunca mais, ninguém me pegará, nem ao meu machucado coração, nunca mais.
Mesmo que ainda me curtas, a pena e desprezo que me despertas me faz ver-te como uma bestafera.
Penas do tiê dedico.
Milhas quilométricas me lanças em distância incomensurável.
De besta, ficas uma fera
Intreveros
Quanta tolice
Na realidade, meu desprezo dedico a tua porção besta.
Fera.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O FRIO



ABSTRATO - Bico de pena sobre papel canson/ 1988


Sinto-te na pele e nos pêlos, arrepio-me só de pensar em ti!
Me fazes sentir coisas tão diversas.
Encolho-me
Estico-me
Contorço-me
E faço a maior ginástica pra conviver contigo.
Es envolvente, voluptuosa, incansável nas tuas formas de me tocares.
Depois, ah, depois...
Fico mole, com aquela vontade de não sair da cama, agasalhar-me e ficar ali na moleza da tua companhia.
As vezes sinto os ossos doídos, depois de uma noite contigo.
Adoro quando vens, é minha companhia de refrigério.
Ao teu lado, por incrível que pareça, produzo mais.
Minhas companheiras não te aceitam, geralmente não gostam de ti.
Não sei se sentem ciúmes, insegurança, ou simplesmente frio.
Es a melhor fase dos meus anos.
Aguardo-te ansioso a cada chegada.
Como gosto de ti inverno.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

PARA CRESCER


Da série Eco-Ilógicos/ Ainda remai contra a maré - Gravura de tiragem limitada.

Não é preciso que eu seja outra pessoa quando eu crescer.
Nem você.
Apenas precisamos, SER.
Quando estamos todos, ou qualquer um em fase de crescimento, físico, os ossos doem, as juntas rangem, a voz se transforma, os mamilos crescem, os hormônios causam furor e coisas as mais inesperadas acontecem. Mas não deixamos de ser quem somos.
São os ajustes naturais de quem está vivo e aceita crescer.
Apenas agregamos metamorfoses naturais do ser.

Não preciso ser outro! Nem você.

Eu preciso ser vivo e assim viver, de verdade, aproveitar a vida e você?

Não quero que você se transforme em outra, eu não preciso ser outro para crescer e aprender, guardar o que me convém, e principalmente usar o que me foi dado.

Você não precisa mudar ao ponto de se perder! Nem eu perder você.
Você não precisa exigir que eu seja outro e me perder! Para ser verdadeiramente você.

Eu não preciso sofrer! Nem você.

Nós não precisamos sofrer.
Sofrer não é bom.
Ser feliz é.

Remar contra a correnteza é cansativo e desgastante. Tem uma hora que a correnteza ganha, é da natureza ganhar.
Mas para que a nossa natureza ganhe é preciso muito sentir, pensar e procurar o caminho mais suave.
Saber, saber.
Saber o que se quer, ajuda.
Saber como se quer, adianta.
Sonhar, desejar, planejar e fazer faz parte do saber.

Só assim nossa natureza é feliz.

De outra forma seguimos preceitos e preconceitos, normas e dias de outros. Não somos nós somos eles.
Os pedacinhos dos outros triunfam. E passamos a ser uma colcha de retalhos mal ajambrado, de péssimo gosto que nem aquece e ainda por cima é curto.

O que é nosso já está dentro de nós.
Basta seguir a natureza.
Permitir que ela aflore.
Aceitar, para não sofrer.

Fiz esse escrito há tempos atrás, quando ainda acreditava que poderia encontrar aceitação em alguém que passou ao largo.

terça-feira, 22 de julho de 2008

DIFERENCIAL

Universo Paralelo - 2005 / Rio de Janeiro - Acrílica sobre tela


Alto lá! Para os jipeiros, caminhoneiros e truckeiros de plantão, não estaremos aqui tratando de quaisquer tema automobilístico legado a mecânica ou algo similar.

Gostaria de relatar um novo conhecimento que veio corroborar minha teoria anterior sobre o comportamento atual das “garotas”, mulheres que estão no mercado de homaração (ficação, paqueração ou qualquer outro ção) e que se encontram absolutamente abestalhadas sem saber o que danado fazer pra encontrar o homem que as faça feliz (devo dizer de soslaio que não creio muito que isso seja possível) mas, vamos em frente.

Há alguns anos atrás, quando me encontrava solteiro outra vez (depois de um lonnnngo inferno, desculpe, quero dizer, inverno), me deparei com um novo e curioso comportamento por parte das mulheres.

Entrei num túnel do tempo, quando casei, fiquei num universo paralelo e retornei dessa dimensão em “outro tempo”!

De cara observei e senti que elas, as mulheres de plantão, estavam absolutamente desvairadas em busca de alguém, pra ficar namorar ou simplesmente transar (por produção). E para tal usavam qualquer artifício possível ou impossível e algumas mais afoitas com uma grande dose de vulgaridade às vezes e quase sempre sem a menor criatividade nem tampouco senso de valorização dela como mulher.

E os babacas de plantão adoram isso! É tudo tão mais fácil para eles.
Grande oferta!
Pernas facilmente abertas!
Compromisso zero. Rodízio de xoxotas a granel, vale mais que mais come ou dá a perereca.

Os termos podem até soar vulgares e grosseiros, porém é assim que me chega o assunto, grosseiramente vulgar.

Posso até não ter eco nesta minha observação, ou parecer antiqud(r)o, mas...

A impressão (digital, ou seja, os dedos delas em mim..) que eu tive ao voltar ao mercado da busca pela mulher desejada era a de que a máquina do tempo digna de filme de ficção científica e tinha passado do ponto, e do outro lado ao sair tinha dado de cara com um futuro muito doido onde isso pra mim há bem pouco tempo seria difícil de imaginar.

Vejamos a cena; uma mulher paquerando diretamente, tomando a iniciativa (até aí tudo bem) e sendo incisiva em demonstrar inclusive com palavras atos e o que mais for possível que ta afim de alguma coisa ou muita, sem aceitar negativa ou rejeição!
Sem respeitar bom senso, simancol ou índice de auto-ricularização.

E se você seja lá por que razão, não quer, essa (a desesperadarenitente) insiste, persiste e não desiste e dá qualquer jeitinho (ou dá outras partes do corpo dela) pra poder lhe ter.

Caretice? Burrice? Antiquadrisse?

Bom, eu nem vou entrar aqui em considerações sobre vestir-se de maneira excessivamente vulgar e gratuitamente provocativa com decotes que mostram do biquinho (as vezes bicão) do peito aos primeiro pelos abaixo do umbigo. E a famosa calça baixa que mostram as calcinhas (verdadeiramente qual o sentido de não se poder descobrir isto na intimidade), e o silicone e a lipoescultura banalizou-se, dos 12 aos 80 não se encontra mais nenhum peitinho natural, nenhuma cinturinha sem prazo de seis meses de validade (a gordurosidade volta com certeza), tudo maquilada cirurgicamente ou botóxicamente, o homem não sabe mais em que é que realmente a gatinha irá se transformar alguns meses depois (isto pois as relações atualmente em sua maioria não duram nem meses), e a oferta é grande, de norte a sul, baixinhas charmosas, magrelas a la Bundchen (algumas anoréxicas), cheinhas boazudas, portadoras de calcinhas com enchimento bundal ou com aqueles saltos enormes pontiagudos que agente não tem a menor idéia como elas conseguem equilibrar-se na buraqueira das calçadas irregulares (deve ser pra isso que malham tanto). É necessário ver Freud e ler mais sobre fetiche, substituição e inveja do falo!!!!!!!

Só para as mulheres... Ter esse conhecimento é uma sacada do caralho!

Bandos, grupos cada vez mais numerosos dessas “mulheres” a disposição, e com total disposição, diria mesmo numa sanha feroz de marcar pontuação na carteirinha de trepadas e sexo vazio. É só querer!

Os rapazes (homens) nem precisam olhar duas vezes, nem precisam achar que elas são “interessantes”, não precisam flertar (que diabo de palavra é essa) seduzir, nem pensar isso demando mais que um segundo de olhar e piscada simultânea, conquistar! Nossa isso deve dar um trabalho arretado, e pra que tudo isso se qualquer uma tem o mesmo tamanho, caras e bocas e seja lá mais o que for. Como escolher uma mulher neste mundaréu de peitinhos, bundinhas e b... Todas tão iguais e em profusão.

Tudo tão igual como às rugas do culhão!

Creio que a Internet e suas salas de bate papo, sites de namoro e sexo virtual, e comunidades do gênero também colaborou muito para essa transformação banalizadora.

Na vida real o comportamento virtual se adequou e banazou a diferença, ou seja, o diferencial acabou.

Quero deixar bem claro que essa minha resenha não tem qualquer cunho hipócrita e de falsa moral. Sou absolutamente a favor dos avanços, mudanças, da metamorfose. Mas para melhor, para valorizar uma coisa mágica e indispensável, as relações humanas, a relação entre homem e mulher, sem a qual estaremos muito próximo do comportamento instintivo atiçado pelo apelo e(u)rótizado, a luxúria global.
Homem e mulher estão ai pra isso, pra se conhecer, se seduzir, se conquistar e se amar muito, fazer amor e sexo de verdade, sexo é vida, é o que há de melhor.

Do que vale uma mulher que deseja tanto o seu sapo que quando se depara com o príncipe não sabe o que porra fazer! Desejar o natural, querer uma relação real para se portar que nem cachorro diante do caminhão de mudanças (O cachorrinho corre, ladra, faz o maior alarde e quando o caminhão para ele não sabe o que diabos fazer).

Frases prontas e vazias, repetidas mecanicamente pelas conquistadoras de plantão que andam a caça todo santo dia.
Razões, ah como elas se acham donas de todas as razões que apóiem suas fajutas, modorrentas justificativas.
Soluções aplicadas com muita vaselina, com violência de estupro, força do bruto, em que se permitiu transformar a linda relação entre homem e mulher.

Falo por experiência própria eu sou fã do filme Don Juan de Marco, aquele com o Jonny Deep e Malon brando onde o personagem principal acredita ser o próprio mestre da sedução e conquista, onde ele mostra ao velho terapeuta que a loucura é não amar, não seduzir, não se preparar para o amor e principalmente, não agir.

Viva a revolução, viva o diferencial, quadris balançantes, cavalheiros beijando suavemente as mão de sua damas objeto de desejo com delicadeza, olhos que se olham, cheiros e perfumes. Viva os feromônios, a umidade e o sal de todos os teus lábios, viva o sexo, amor, a relação, a qualidade ativa, viva a vida.