quarta-feira, 16 de julho de 2008

Minha sombra não sou eu.

Minha sombra nas pedras - Fotoarte - Ricardo Araújo.ricaru / 2007

Minha sombra não sou eu.
Com certeza!
Às vezes, me lembra a mim.
Mas, faz parte da luz do meu dia, ou noite.
Dependendo da fonte de luz.
Pode ser nítida como um açoite.
Uma sombra ao humano nunca é danosa quando observa-se sua silhueta, ou movimento.
Minha sombra não me pertence, tem vontade própria.
É “quase” uma entidade.
Então, porque temer.
O que se projeta independente da minha vontade.
Mesmo assim, faz parte de mim.
Sombras de bem fazer, agradáveis redutos da alma abissal.
Nunca refletem, podem até ser, miragens.
Mas, pra que entender as sombras, não é mesmo?
Pra que entender!
Minha sombra.
Não!
Sou eu.

Ao Pincel

Ao Pincel / 1991 (Em Portugal) - Ricardo Araújo.ricaru - Aquarela (Aguarela), aguada, Ecoline.

Teus apelos
Eriçados
Pelos
Suaves
Molhados pelos
Martha
Me deixas
Com cara de camelo
No canto da minha boca
Suaves
Teus
Pelos
Trabalho
Sentindo
Teus apelos.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Flerúmbelo Negoçando e Coisando


Foto-tratamento/ Ricaru


Pode ser declarado, falado ou cantado


Vamos começando negoçando
E coisando bunitinho
Bem gostoso e vagarinho
Esse negóço coisadinho
Tão bonzinho
Negócinho!
Que coisainha boazinha

Molhadinha no pontinho
Negoçada e coisada
Vamú dá uma ximbrada
E depois uma lambidinha
Nessa coisa maciota
Tão coisada apertadinha
Ora veja
Que coisainha boazinha

E assim vamu seguindo
Num caminho negoçado
Tão coisado arrepiado
Que me deixa coisadinho
Seja que jeito tenha
Bem lisinha ou bem crespinha
Amarela ou branquinha
Torradinha bem roxinha
O negóço é ir chanfrando
Pela vida caminhando
Negoçado e coisado
Que coisainha boazinha

Quien quisera num Pará
De dizer como é gostoso
Prazeroso e fabuloso a coisinha gostosinha
Não coisar é fenecer
E os cabelo ver crescer
Nos luga aparecer
Sem negoçar não há lugar
Para a vida aproveitar
Dessa forma chanfraria, toda hora e todo dia
Num chambrinsk bem gostoso, apetitoso e saboroso
Minhas pilha recarrega, crio força redobradada
A cebeça zuni tanto
Reboculoso fico tonto
Sem coisar e negoçar
Vou
Resolver
Me exterminar

segunda-feira, 14 de julho de 2008

As asas(alma) da música (Music)

Rotterdam - Dezembro de 1991


Quando estou mal(sozinho), só preciso de você!
Mas você não existe.
Não estou só por opção.
Então...
Só tenho a mim mesmo pra recorrer.
O que não tem remédio.
Tem música!
Quando estou mal, só preciso ouvir uma boa música.
Daquelas que toca o coração.
Lava a alma.
Que nem cerveja geladinha num dia de sol quente.
De frente pro mar...
Viajo.
Estou só!
Mas minha alma não.
Tantas histórias!
Tantos amores.
N’um só.
Você não.
Ouço a música.
Vibro com os sons, arranjos.
É como...
Gozar!
A música me arrebata.
Transcendo.
Mull of kintyre.
Tradução indizível! Ainda bem.
Obrigado!
Aumento o som.
Já não estou só!
As gaitas o coro, os sons.
Minha alma agradece.
Pode ser também “loose my religion”
Que foi...
Você.
Compreendo cada palavra, sinto cada som.
Quando estou mal, torço o jogo.
Sinto.
Mais.
Choro.
As vezes.
Enxugo as lágrimas.
Sempre.
Sinto coisas que me permito!
Sem você.
Comigo.
Aí vem Shape of my Heart!
Quase estouro os ouvidos, quero mais, repito.
Por você!
P’ra você.
Não.
Por mim.
Mais alto.
Depois.
Só outra.
De novo.
Outra vez!
Você já não me serve mais.
Estou bem.
Eu e a música.
A alma.
Espírito santo.
Amém.

A Difference A Day Makes
Blowing in the Wind
F...Comme Femme
Michele
Rien de Rien
Somewhere Over The Rainbow
Volver a los 17
La Vie En Rose

E muiiiiiiiiiiiiiito mais…

A lágrima dela molhou minha camisa

Minha Gabiela e eu na Prainha/Rj. Janeiro de 2006


E só agora, depois de passado é que eu me permiti chorar!
Ela me apertou, abraçando com firmeza.
Era uma despedida.
Eu já conhecendo esse filme.
Não queria prolongar aquele momento.
Não queria faze-la sofrer.
Nem sofrer também.
Mas ela estava decidida, fortemente segura me agarrou!
Que abraço bom, como é bom amar e ser amado.
E eu senti quando o soluço dela abalou meu coração.
Quebrou ele todinho em milhões de pedacinhos.
Estilhaços do sofrimento.
Ó amor!
Sinônimo à mim, de sofrimento.
Será que tudo é momento?
Quantas separações.
Suas lágrimas foram caindo, assim sem pudor nem controle.
E molharam meu peito.
Encharcaram minha pobre alma sofrida.
Ela é tão jovem.
Eu ainda não sou tão velho.
Mas as lágrimas dela me fizeram sentir um ancião impotente.
Tremi, mas segurei.
Ela levantou o rosto.
Eu tentei sorrir.
Ela também.
Creio que ela percebeu minha agonia.
Sorriu mais um pouquinho.
Aqueles olhos lindos iluminando meu mundo.
E eu assim sem palavras, num raro momento.
Disse; logo agente fica junto de novo meu amor.
Ela balançou a cabeça que sim, isso na verdade não faz muito sentido.
Penso que pensou.
Beijei seu rostinho.
Mais um abraço.
Nos despedimos.
Ela se foi.
E eu fiquei ali atarantado, dando adeus até o último momento.
Até a última visão.
Ela olhava e sorria, acenava mais uma vez.
E outra.
Ela sumiu.
Mas suas lágrimas na minha camisa não.
Agora que ela se foi posso chorar também.
Assim minhas lágrimas se juntarão com as dela em minha camisa.
Meu peito.
Meu coração.


Para você minha Gabiela, ao final das férias, quando mais uma vez tivemos que nos separar, minha filha, meu amor, meu sangue, ar e coração.

Breve estaremos juntos de novo.